Boa noite, hoje dia 5 de janeiro começo uma mensagem sobre a Imago Dei, você sabe o que essa palavra significa? não? então vamos aprender!
IMAGO DEI
As linguagens teológica e filosófica carecem de trem de pouso. Henry David
Thoreau disse que "ser filósofo não é meramente ter pensamentos sutis, nem
mesmo fundar uma escola... é resolver alguns dos problemas da vida, não na
teoria, mas na prática". O mesmo vale para ser teólogo ou pretender fazer
teologia: ou a reflexão nos ajuda a viver melhor, ou é puro diletantismo.
Em que consiste, portanto, essa imago Dei? Gomo essa imagem de Deus se
manifesta no ser humano? De que maneira Deus se expressa através do ser
humano? Gomo esses conceitos de teologia–antropologia–teleologia podem se
tornar práticos? Como podemos colocar trem de pouso nesse universo de ideias, a
fim de que elas nos sejam úteis para encarar a segunda-feira? Responder a essas
perguntas é imprescindível para o desenvolvimento da vida com significado,
porque essas respostas trarão consigo as implicações práticas da imagem de Deus
para a vida humana.
O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento (1981a), ao
comentar o vocábulo adam, sugere uma série de interpretações possíveis para a
imagem de Deus, que podem ser assim resumidas:
• alma ou espírito, que envolvem a invisibilidade e a imortalidade e, também, a
capacidade de relacionamento com Deus;
• capacidades intelectuais e físicas, que englobam o intelecto e a vontade, ou o
livre arbítrio e a razão;
• integridade intelectual e moral, que abrangem o conhecimento e a justiça;
• corpo físico, que se refere ao órgão apropriado da alma por meio do qual o
homem exerce seu domínio;
• domínio sobre a criação, isto é, o domínio do homem sobre o mundo não–humano.
Alguns teólogos resumem que o ser humano herdou de Deus a espiritualidade da
alma, a liberdade da vontade e a imortalidade do corpo. A imagem de Deus é
vista, também como tudo quanto distingue o humano do não humano Essa
distinção pode ser descrita a partir de três capacidades humanas relacional,
racional e volitiva. O ser humano, portanto, e capaz de amar e de ser amado,
capaz de distinguir a si mesmo do restante da realidade e de tomar decisões
baseadas em certo e errado, bem e mal, isto é, decisões morais.
Essas definições e sugestões das manifestações e expressões da imagem de Deus
no homem giram ao redor dos mesmos paradigmas e confundem–se com
pressupostos filosóficos. Uma das grandes discussões a respeito envolve as
posições de Santo Agostinho e Tomás de Aquino, que falam de essência de Deus
e de aparência de Deus (ícone). Muitos críticos aprofundam o debate para o
conflito entre as visões platónica e aristotélica Na verdade, a matriz filosófica é
sempre dedutiva e, muito embora im–prescindível, jamais pode tomar o lugar da
matriz bíblica, que não é dedu–tiva, é revelacional. Isto é, num simplismo
arriscado, a filosofia é a tentativa humana de decodificar o universo e seus
fenómenos, enquanto a revelação é a iniciativa divina em revelar a si mesmo e seu
universo criado. Na verdade, a única razão por que a filosofia discute a imagem
de Deus no homem é porque a Bíblia diz que assim foi feito: "Façamos o homem
à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gênesis 1:26,27, ARA, NVI
Opto, portanto, por buscar no próprio texto bíblico o fundamento para a
interpretação dessa imagem de Deus. O relato do Gênesis é insubstituível e
inigualável.
Fazer teologia, entretanto, é também trilhar caminhos de raciocínios dedutivos.
Afinal, como bem diz John Stott, "crer é também pensar" Olhando para o texto
bíblico, deduzimos que as expressões "imagem e semelhança" implicam paralelos
entre Deus e o homem. Nosso conceito de Deus vai gerar o conceito de homem. A
união das duas percepções coloca–nos diante do desafio de discernir a aplicação
prática do signifi–cado–expressões–manifestações–dimensões da imago Dei.
Continuamos amanhã esse assunto com o tema:
AS ENTRELINHAS DO GÊNESIS
Nenhum comentário:
Postar um comentário